Entidade quer saber por que o centenário não foi comemorado e, justamente em ano eleitoral, foi criado evento com participação de candidatos e uso da estrutura institucional do turismo. O Sindicato das Empresas Promotoras de Eventos do Estado do Paraná (SINDIPROM/PR) encaminhou representação ao Ministério Público Eleitoral e à Justiça Eleitoral solicitando a apuração de possíveis ilícitos eleitorais relacionados ao evento denominado “110 anos do Turismo Paraná”, realizado em Curitiba em pleno ano eleitoral.
Para o sindicato, o principal ponto que precisa ser esclarecido é a inusitada escolha de 2026 para promover uma grande celebração dos 110 anos do turismo paranaense, justamente dez anos depois do centenário — que, segundo a entidade, não recebeu comemoração institucional de dimensão semelhante.
“Se não houve uma grande mobilização quando o turismo completou 100 anos, por que decidiram comemorar os 110 anos justamente em um ano eleitoral?”, questiona o SINDIPROM.
A entidade afirma que a situação merece investigação porque a comemoração foi associada à 100ª reunião do Conselho Estadual de Turismo (CEPATUR) e contou com a presença de autoridades, integrantes do Governo do Estado e agentes políticos, entre eles Sandro Alex, candidato ao Governo do Paraná, e Leonardo Paranhos, candidato a deputado federal.
O sindicato também questiona a participação do chamado G5 Turismo Paraná e quer saber qual foi efetivamente a participação do grupo na organização e no financiamento do evento.
“O Conselho não tem dono”
Para o SINDIPROM, outro ponto fundamental é a utilização da estrutura institucional do CEPATUR.
“O Conselho Estadual de Turismo não tem dono, partido ou candidato. É um espaço institucional composto por representantes do Poder Público e da sociedade civil e não pode ser transformado em palanque eleitoral”, afirma a entidade.
A representação pede que sejam levantadas as atas e deliberações do Conselho, identificados os responsáveis pela decisão de associar a 100ª reunião à comemoração dos “110 anos” e esclarecida a participação dos órgãos públicos na realização do evento.
Quanto custou e quem pagou?
Entre os principais questionamentos apresentados ao Ministério Público Eleitoral e à Justiça Eleitoral está o custo do jantar e a origem dos recursos utilizados.
O SINDIPROM solicita a apuração de:
- custo total do evento;
- contratos e notas fiscais;
- empenhos e pagamentos;
- origem dos recursos;
- eventual utilização de dinheiro público;
- participação financeira do Governo do Estado ou da Secretaria de Turismo;
- utilização de servidores, veículos, equipamentos ou espaços públicos;
- participação financeira do G5;
- empresas contratadas;
- responsáveis pela autorização e execução das despesas.
A entidade também pede que sejam levantados convites, listas de convidados, fotografias, vídeos, discursos e publicações oficiais e nas redes sociais, além da identificação dos agentes políticos presentes e eventual tratamento diferenciado entre candidatos.
SINDIPROM quer investigação sobre possível uso político
O sindicato sustenta que não pretende impedir a realização de comemorações do turismo, mas verificar se a efeméride foi utilizada como instrumento de promoção política em ano eleitoral.
“Não questionamos o direito de comemorar. Questionamos por que comemorar os 110 anos se não houve mobilização equivalente nos 100 anos; por que utilizar a estrutura do Conselho; quanto custou; quem pagou; quem autorizou; quem organizou e quais agentes políticos foram beneficiados”, afirma o SINDIPROM.
A entidade entende que a coincidência entre a comemoração, o calendário eleitoral, a presença de candidatos e a utilização da estrutura institucional do turismo paranaense constitui circunstância suficiente para justificar a investigação.
Caso sejam comprovados recursos públicos, utilização indevida da estrutura administrativa ou favorecimento eleitoral, o sindicato espera que sejam adotadas as medidas previstas na legislação.
“O turismo paranaense é de todos. O CEPATUR é de todas as entidades que o compõem. A estrutura pública não pertence a nenhum partido ou candidato. Queremos apenas transparência, isonomia eleitoral e respeito às instituições.”
SINDIPROM/PR – Sindicato das Empresas Promotoras de Eventos do Estado do Paraná



