Metodologia adotada pelo instituto diverge da utilizada pela maioria dos principais e reconhecidos institutos que estão em campo no Paraná e no Brasil. A nova pesquisa IRG/Grupo RIC coloca o candidato do governador em segundo lugar na disputa pelo Governo do Paraná, com 27%.
O número chama atenção, mas a principal questão não está apenas no resultado. Está na metodologia utilizada para chegar a esse percentual.
O IRG adota um critério que apresenta os candidatos acompanhados de seus vices e de suas composições políticas. É uma metodologia diferente daquela utilizada pela maioria dos principais e reconhecidos institutos que realizam pesquisas eleitorais no Paraná e no Brasil para medir a intenção de voto para governador.
E os próprios números do IRG permitem uma comparação objetiva.
Na pesquisa realizada em julho, quando os candidatos eram apresentados individualmente, o candidato do governador aparecia com 16,5%, enquanto Rafael Greca registrava 11,1%.
Depois da formação das chapas, o instituto passou a apresentar Sandro Alex + Rafael Greca conjuntamente. O percentual chegou a 24,8%.
Agora, novamente com os dois nomes apresentados juntos, chega a 27%.
Mas existe um dado fundamental que não pode ser escondido pela manchete.
Na pesquisa espontânea, quando o eleitor não recebe uma lista de nomes, Sandro Alex aparece com 10,4% e Rafael Greca com apenas 0,3%.
Portanto, o percentual de 27% não se reproduz na manifestação espontânea do eleitor.
Não é que o candidato tenha simplesmente saltado de 16,5% para 27%. O que mudou foi a forma de medir.
Essa é uma diferença metodológica concreta.
O eleitor vota para governador. O vice pode influenciar a decisão, assim como um governador, ex-governador ou qualquer outra liderança política pode influenciar uma candidatura. Mas influência política não significa, automaticamente, transferência de votos.
Há também um questionamento judicial sobre contratos do IRG com o Estado.
E há outro aspecto que precisa ser colocado na mesa — não como acusação, mas como informação pública que merece transparência.
O IRG já foi alvo de ação popular na Justiça do Paraná questionando contratos firmados com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Um dos contratos questionados tem valor de R$ 583,8 mil, e o caso posteriormente passou a envolver questionamentos sobre outros contratos que, segundo documentos e reportagens publicados à época, somariam cerca de R$ 2,4 milhões.
A existência dessa ação popular, evidentemente, não significa que o IRG tenha sido condenado ou que exista decisão judicial reconhecendo manipulação de pesquisa. O ponto é outro: diante da relevância eleitoral do instituto e da existência de contratos públicos questionados judicialmente, é legítimo que o eleitor tenha acesso a todas essas informações antes de simplesmente aceitar uma manchete como retrato definitivo da eleição.
O próprio Tribunal de Contas do Estado mantém consulta pública de contratos, permitindo verificar relações contratuais entre órgãos públicos e empresas.
Por isso, transparência deve ser a palavra de ordem.
Quem contrata? Quanto paga? Qual é o objeto do contrato? Qual é a metodologia? Quem foi entrevistado? Como a pergunta foi formulada?
E, principalmente: por que a metodologia utilizada pelo IRG para medir a disputa pelo Governo do Paraná é diferente daquela adotada pela maioria dos principais institutos que pesquisam a eleição?
A comparação com outras pesquisas
A comparação com a Paraná Pesquisas torna a diferença ainda mais evidente.
Em levantamento divulgado um dia antes, a Paraná Pesquisas apresentou Sérgio Moro com 45%, Requião Filho com 24% e Sandro Alex com 17,5%.
São fotografias bastante diferentes de um mesmo eleitorado, realizadas praticamente no mesmo período.
Isso não significa dizer que uma pesquisa seja falsa e outra verdadeira.
Significa que metodologia importa.
E quando uma metodologia produz um resultado muito diferente das demais, é obrigação de quem divulga a pesquisa explicar claramente ao eleitor como aquele número foi construído.
Mais ainda quando o instituto utiliza uma fórmula que associa o candidato ao peso eleitoral de seu vice ou padrinho político.
O padrinho pode ajudar, mas não vota pelo eleitor.
O apoio do governador pode ser importante para qualquer candidato. Mas o padrinho político não vota no lugar do eleitor.
Se esse apoio efetivamente se transforma em intenção de voto, isso precisa aparecer de maneira consistente quando o eleitor é perguntado espontaneamente.
Até aqui, os próprios números do IRG mostram uma diferença expressiva entre o desempenho espontâneo e o resultado obtido no cenário estimulado com a composição da chapa.
Por isso, é preciso cuidado com a manchete que transforma 27% em uma suposta demonstração isolada de força do candidato.
Na espontânea, ele não aparece com 27%.
Na estimulada, aparece associado ao vice e à composição política apresentada pelo instituto.
Essa diferença precisa ser conhecida pelo eleitor paranaense.
Não estamos acusando fraude.
Não estamos afirmando que houve manipulação.
Estamos fazendo algo muito mais simples: comparando os números, examinando a metodologia e lembrando que existem questionamentos públicos e judiciais envolvendo contratos do instituto com o poder público.
E o mesmo rigor precisa valer para todos.
Se pesquisas contratadas por partidos ou grupos políticos são questionadas por sua eventual falta de independência, o mesmo padrão de transparência precisa ser aplicado a pesquisas contratadas por veículos de comunicação ou institutos que mantenham relações comerciais ou institucionais com o poder público.
O critério precisa ser igual para todos.
O eleitor não pode ser colocado no meio de uma guerra de pesquisas.
Não é especulação. Não é torcida. Não é opinião. São os números publicados pelo próprio instituto e os fatos públicos que envolvem sua atuação.
Na espontânea, o candidato do governador não chega perto dos 27%.
Na estimulada, aparece com 27% quando apresentado dentro de uma composição política.
Essa diferença precisa ser explicada.
Porque pesquisa eleitoral deve servir para informar o eleitor, e não para criar uma percepção artificial de crescimento.
Pesquisa não é propaganda.
Metodologia não pode ser invisível.
Contrato público precisa ser transparente.
E voto de padrinho não pode ser apresentado como voto consolidado do candidato.
O Paraná não tem dono. O voto também não.


