Indicado também para um dos Conselhos da Sanepar, o advogado foi eleito por unanimidade, mas a nomeação acabou não efetivada. O advogado João Alberto Graça é o personagem central de uma reportagem publicada nesta sexta-feira (18) pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo, por ter feito uma doação de R$ 50 mil para a campanha de Sergio Moro ao Palácio Iguaçu.
Não há qualquer problema com a doação eleitoral, o que foi destacado é que o advogado foi preso duas vezes em 2018 pela Polícia Federal num esquema que apurava pagamento de propina no Ministério do Trabalho. Cita o colunista que João Graça chegou a jogar o celular no vaso sanitário durante a ação dos federais.
“Informamos que os valores recebidos pela campanha Sergio Moro Governador, em doação feita por João Alberto Graça, foram integralmente devolvidos. Esclarecemos que nenhum integrante da campanha tratou com esse advogado que já foi preso pela Polícia Federal. Informamos, ainda, que todas as doações passam por checagem com critérios internos de governança e compliance”.
Conselho vinculado à Secretaria da Fazenda
A história envolvendo o advogado João Alberto Graça, no entanto, não para por aí. O Blog Politicamente apurou que o mesmo João Alberto Graça foi nomeado em julho de 2025 como conselheiro titular do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais (CCRF). Função que ele ocupa até hoje.
O conselho é um órgão vinculado à Secretaria da Fazenda do Governo do Paraná. Ele foi indicado como representante da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná.
O decreto número 10.710, de 23 de julho de 2025, traz a nomeação de João Alberto Graça e foi assinado pelo governador Ratinho Junior e os secretários João Carlos Ortega, da Casa Civil, e Norberto Ortigara, da Fazenda. E o mandato dele no Conselho, de dois anos, vai até 1º de agosto de 2027.
Três meses antes, exatamente às 14h do dia 28 de abril de 2025, a Sanepar iniciava a 61ª Assembleia Geral Ordinária e a 127ª Assembleia Geral Extraordinária de modo exclusivamente digital, por meio da plataforma Ten Meeting.
Dentre os itens da pauta de deliberações, estava a indicação de João Alberto Graça, feita pelo Governo do Estado, para o Comitê de Elegibilidade da companhia paranaense. O mesmo advogado preso numa operação da PF por pagamento de propina no Ministério do Trabalho em 2018.

De acordo com a ata da reunião da Sanepar, o currículo de João Alberto Graça “foi apresentado nesta oportunidade pelo representante do Acionista Estado do Paraná” sendo “eleito por unanimidade, com posse condicionada ao cumprimento dos requisitos legais e estatutários, com término do mandato em 28/04/2027”.
Procurada a assessoria de imprensa da Sanepar informou que a nomeação do advogado João Alberto Graça não foi efetivada porque não atendia aos requisitos.
Histórico
Talvez por conta dos antecedentes. João Alberto Graça foi preso em maio de 2018 e depois em dezembro do mesmo ano pela PF, quando foi detido, por ordem do Supremo Tribunal Federal, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para os Estados Unidos. Este segundo mandato de prisão se deu pela suspeita de tentativa de destruição de provas.
As investigações apontaram, cita o Globo, que ele era o lobista apontado como um articulador chave do esquema que envolvia desvios e restituições ilegais de recursos da Conta Especial Emprego e Salário.
Governo se manifesta
A Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná (Sefa-PR) esclarece que João Alberto Graça não integra o quadro de servidores da pasta ou da Receita Estadual. Ele é membro da Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais (CCRF), órgão colegiado que julga processos administrativos fiscais em segunda e última instância relativos aos principais tributos estaduais.
O conselho é composto por 12 conselheiros indicados pelo Estado (seis titulares e seis suplentes) e outros 12 conselheiros indicados por entidades de setores econômicos da iniciativa privada (também seis titulares e seis suplentes). Os indicados pelo Governo são obrigatoriamente auditores fiscais e procuradores do Estado em atividade. Os conselheiros indicados pela sociedade civil devem ter curso superior e, preferencialmente, experiência nas áreas de Direito e Direito Tributário.
Essa indicação poder ser feita por quaisquer entidades de classe ligadas ao setor produtivo paranaense — e é neste grupo que o senhor João Alberto Graça se enquadra.
João Graça também não é e nunca foi funcionário ou conselheiro da Sanepar.
Não encontrado
O Blog Politicamente entrou em contato com o advogado João Alberto Graça através do telefone do escritório em Londrina. A secretária do advogado informou que ele retornaria à ligação, mas até a publicação desta reportagem ele não havia entrado em contato.
O espaço segue aberto para manifestação.



