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A maquiagem do caixa e o apagão dos serviços: o Paraná não pode pagar a conta do ilusionismo fiscal

Última atualização em

15 de outubro de 2026 às

18:42

Por Emerson Bacil
Deputado estadual eleito — PL-PR

O caixa esvazia, as promessas ficam e a conta chega para o cidadão. O Paraná precisa de transparência na gestão dos recursos públicos e de respostas concretas para os problemas que afetam a população e o setor produtivo.

Caminho ao lado de Sergio Moro desde o primeiro momento porque compartilho de um princípio inegociável: a verdade precisa prevalecer sobre os discursos convenientes. É com esse compromisso que trago ao debate os números apresentados pela Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA) na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e os problemas enfrentados pelos paranaenses com os serviços essenciais.

A discussão fiscal merece atenção. De um lado, o governo apresenta uma disponibilidade de caixa de R$ 27,6 bilhões para a próxima gestão. De outro, reportagem da Gazeta do Paraná aponta um déficit orçamentário de aproximadamente R$ 4,2 bilhões entre janeiro e agosto de 2026.

Os números precisam ser compreendidos dentro de seus respectivos contextos. Disponibilidade de caixa não significa necessariamente dinheiro integralmente livre para novos investimentos, assim como déficit orçamentário não representa, por si só, insolvência do Estado.

O que precisamos saber é quanto desses recursos estará efetivamente disponível depois de contabilizados os compromissos financeiros, os restos a pagar, os convênios firmados e as despesas necessárias para manter o funcionamento da máquina pública.

A pergunta é objetiva: qual será a situação financeira efetiva do Paraná ao final do exercício e quais obrigações serão transferidas para a próxima administração?

A transparência fiscal não pode ficar no discurso

Anunciar obras, assinar convênios e apresentar números positivos em eventos oficiais faz parte da comunicação de qualquer governo. Entretanto, a responsabilidade administrativa exige mais: é preciso demonstrar de onde virão os recursos, quais despesas já estão comprometidas e como os investimentos serão sustentados.

O contribuinte tem o direito de conhecer a situação real das contas públicas.

Por isso, defendo a divulgação clara e consolidada dos compromissos assumidos pelo Estado, dos valores efetivamente pagos, dos restos a pagar e das despesas previstas para os próximos exercícios.

Não se trata de criar alarmismo, mas de assegurar que a transição administrativa ocorra com informações completas e confiáveis.

A próxima gestão precisará conhecer a realidade financeira que encontrará, estabelecer prioridades e garantir a continuidade dos serviços públicos. Para isso, a transparência não pode ser substituída por disputas de narrativas.

O dinheiro público exige planejamento, responsabilidade e prestação de contas.

Copel: a conta chega duas vezes para quem produz

Se a situação fiscal exige esclarecimentos, a qualidade dos serviços essenciais também precisa estar no centro do debate.

A energia elétrica é indispensável para o funcionamento das residências, do comércio, da indústria e, especialmente, das atividades agropecuárias. Quando o fornecimento falha, os prejuízos ultrapassam o desconforto de ficar sem luz: podem comprometer mercadorias, interromper processos produtivos e gerar despesas extraordinárias.

Consumidores e empresários têm o direito de exigir um serviço compatível com as tarifas cobradas e com a importância da energia para o desenvolvimento econômico do Paraná.

É necessário discutir os indicadores de continuidade do fornecimento, os tempos de resposta às ocorrências, a estrutura de atendimento e os mecanismos de compensação para quem sofre prejuízos.

No campo, porém, o problema pode assumir proporções ainda maiores.

São Pedro do Iguaçu: produtores rurais obrigados a recorrer a geradores

Em São Pedro do Iguaçu, relatos sobre dificuldades no fornecimento de energia elétrica chamam a atenção para uma realidade que precisa ser investigada: produtores rurais que precisam recorrer a geradores para manter suas atividades diante das interrupções no serviço.

A consequência é um custo adicional para quem já precisa administrar despesas com insumos, equipamentos, combustível, mão de obra e manutenção.

O gerador exige diesel, manutenção e operação. Em outras palavras, o produtor pode acabar pagando pela energia contratada e, ao mesmo tempo, tendo de desembolsar recursos próprios para gerar eletricidade e evitar que sua atividade seja prejudicada.

Pequenos, médios e grandes agricultores precisam de fornecimento confiável para manter suas operações. Dependendo da atividade, uma interrupção pode afetar equipamentos, sistemas de bombeamento, refrigeração, armazenamento e outras etapas essenciais da produção.

Quando isso acontece repetidamente, o custo adicional reduz a margem financeira do produtor e compromete sua capacidade de planejamento.

É preciso reconhecer que o agronegócio não depende apenas de estradas, crédito e mercado. Depende também de infraestrutura energética capaz de atender às necessidades de quem produz.

O agricultor não pode ser tratado como responsável por resolver, indefinidamente e com recursos próprios, os problemas de um serviço essencial.

Os relatos de São Pedro do Iguaçu precisam ser documentados, com identificação das ocorrências, duração das interrupções e prejuízos registrados. Essas informações são fundamentais para que os órgãos competentes avaliem a extensão do problema e as providências cabíveis.

Ação em Reserva abre discussão sobre responsabilização

A questão também chegou ao campo judicial.

Em Reserva, nos Campos Gerais, o Ministério Público do Paraná ajuizou uma ação civil pública relacionada a falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica. A iniciativa busca a responsabilização da Copel e a reparação dos danos apontados no processo.

O caso coloca em evidência uma questão que merece atenção em todo o Estado: como assegurar que consumidores e produtores rurais prejudicados por interrupções recorrentes tenham acesso aos mecanismos adequados de fiscalização e reparação?

É necessário avaliar se existem situações semelhantes em outros municípios, inclusive em São Pedro do Iguaçu.

Defendo que os órgãos competentes, as entidades representativas do setor produtivo e os consumidores documentem os episódios e encaminhem as informações às autoridades responsáveis. Havendo indícios de falhas sistemáticas e danos comprovados, cabe avaliar as medidas administrativas e judiciais adequadas a cada situação.

Isso não significa presumir que todos os municípios enfrentem os mesmos problemas ou que a responsabilidade da concessionária já esteja definitivamente estabelecida em todos os casos. Significa garantir que denúncias fundamentadas sejam apuradas e que os prejuízos comprovados recebam o tratamento previsto em lei.

A população rural não pode ficar desamparada diante de interrupções que comprometem seu trabalho e sua renda.

Se uma iniciativa judicial busca responsabilização por danos em determinado município, é legítimo questionar se outras localidades afetadas também precisam de investigação e providências.

O objetivo deve ser assegurar direitos, apurar responsabilidades e buscar soluções que evitem a repetição dos problemas.

O Paraná precisa de responsabilidade nas contas e nos serviços

A situação fiscal do Estado e os problemas no fornecimento de energia são assuntos distintos, mas ambos exigem transparência, fiscalização e respostas concretas.

Nas contas públicas, precisamos conhecer a composição dos recursos disponíveis, os compromissos assumidos e as despesas futuras.

Na prestação dos serviços de energia, precisamos de informações sobre a qualidade do fornecimento, o atendimento aos consumidores e a reparação dos danos quando houver responsabilidade comprovada.

Não basta apresentar números: é necessário explicar o que eles significam e quais consequências produzem na vida dos paranaenses.

Fiscalizar é uma obrigação de quem exerce mandato público. Cobrar transparência não significa antecipar conclusões, mas garantir que os fatos sejam esclarecidos e que a população tenha acesso às informações necessárias.

O Paraná pertence aos paranaenses. O dinheiro público deve ser administrado com responsabilidade, e os serviços essenciais precisam atender às necessidades de quem trabalha, produz e paga impostos.

A conta pública precisa ser transparente, e a energia precisa chegar a quem produz. O cidadão não pode continuar arcando com custos e prejuízos sem respostas claras das instituições responsáveis.

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