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Abrabar alerta para pressão sobre bares e restaurantes e pede bom senso nas fiscalizações

Última atualização em

27 de agosto de 2026 às

14:12

A Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) faz um alerta diante do cenário enfrentado atualmente por bares, restaurantes e casas noturnas: o setor está sendo pressionado simultaneamente por mudanças no comportamento do consumidor, novas formas de entretenimento, concorrência digital, golpes em plataformas de delivery e, agora, pelo temor de fiscalizações conduzidas de maneira desproporcional.

A entidade ressalta que não é contra a fiscalização. Ao contrário: empresários que trabalham regularmente também são os primeiros interessados em que a legislação seja cumprida e que aqueles que atuam de forma irregular sejam responsabilizados.

O problema, segundo a Abrabar, é quando a fiscalização deixa de ser uma ferramenta de orientação e organização urbana e passa a ser percebida pelo empresário como uma ameaça permanente à continuidade da atividade.

“Fiscalizar é obrigação do poder público. Mas o empresário precisa ser tratado como empreendedor, como cidadão e como parceiro da cidade, e não como marginal”, é a posição defendida pela entidade.

Um setor pressionado por todos os lados

A situação econômica do segmento já é delicada.

Bets, jogos eletrônicos, plataformas digitais e novas formas de entretenimento passaram a disputar diretamente o dinheiro e o tempo que antes eram destinados ao consumo presencial.

As chamadas canetas emagrecedoras também provocaram mudanças no comportamento de parte dos consumidores, com reflexos percebidos no movimento de bares, restaurantes e casas noturnas.

Além disso, o setor passou a enfrentar uma nova modalidade de prejuízo: fraudes relacionadas às plataformas de delivery.

A Abrabar chama atenção para relatos de pedidos contestados de maneira indevida e para a possibilidade de utilização de ferramentas de inteligência artificial na manipulação de imagens apresentadas para justificar pedidos de reembolso.

Para o empresário, o problema é grave: o estabelecimento assume o custo do produto, da mão de obra, da embalagem e da operação e ainda pode sofrer prejuízo decorrente de uma contestação fraudulenta.

“Não podemos ter o poder público como mais uma dificuldade”

Na avaliação da Abrabar, o setor já suporta uma carga elevada de desafios.

Depois das dificuldades enfrentadas durante a pandemia, os empresários precisam lidar com custos operacionais, mudanças no comportamento do consumidor, concorrência de novas modalidades de entretenimento, problemas nas plataformas digitais e insegurança jurídica.

“Se, além de tudo isso, o poder público passar a ser visto pelo empresário como mais uma ameaça, estaremos colocando uma pá de cal sobre um setor que precisa justamente de incentivo para continuar gerando emprego e renda.”

A entidade defende uma relação baseada em orientação, diálogo, prevenção e proporcionalidade, sem abrir mão da fiscalização ou do cumprimento das regras.

Bares e restaurantes fazem a cidade pulsar

A Abrabar também destaca que a importância do setor vai muito além do estabelecimento comercial.

Curitiba vem ampliando sua agenda de shows, eventos e atrações culturais. Cada grande evento movimenta uma cadeia econômica que começa muito antes da abertura dos portões e continua depois que o espetáculo termina.

São produtores, técnicos, seguranças, garçons, cozinheiros, motoristas, fornecedores, artistas, profissionais de limpeza, trabalhadores do comércio e inúmeros outros profissionais envolvidos direta ou indiretamente.

E existe uma etapa fundamental dessa cadeia: o consumo depois dos eventos.

Quem trabalha, participa ou acompanha um show precisa de restaurantes, bares, lanchonetes, casas noturnas e outros estabelecimentos para continuar sua experiência na cidade.

Por isso, fortalecer bares e restaurantes significa também fortalecer o turismo, a cultura, os eventos e a economia urbana.

“Uma cidade cheia de shows e eventos precisa de uma gastronomia forte e de uma vida noturna viva. Não existe turismo pulsando sem bares, restaurantes e entretenimento funcionando.”

Ano eleitoral exige ainda mais responsabilidade

A entidade também manifesta preocupação com o contexto eleitoral.

Em um ano de disputa política, a Abrabar considera fundamental que qualquer ação de fiscalização seja baseada em critérios técnicos, objetivos, transparentes e isonômicos, evitando qualquer possibilidade de percepção de seletividade ou tratamento diferenciado entre estabelecimentos.

O pedido não é por privilégio ou impunidade.

É por segurança jurídica, respeito e equilíbrio.

O setor quer cumprir as regras, trabalhar, gerar empregos e contribuir para o desenvolvimento de Curitiba e do Paraná.

“Não queremos privilégios. Queremos respeito. Fiscalização, sim. Abuso, não. O empresário precisa ser visto como parte da solução e como parceiro do poder público.”

Para a Abrabar, marginalizar um setor que absorve grande quantidade de mão de obra e movimenta turismo, cultura, gastronomia e entretenimento significa prejudicar não apenas os empresários, mas toda a cadeia econômica que depende desses estabelecimentos.

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